Olá, Sivan. Estou escrevendo da distante Nova Zelândia.

Recentemente você publicou uma história sobre uma pequena comunidade judaica com dez famílias. Todas as manhãs havia um minyan [quórum de dez judeus para a oração], porque cada homem de cada família sentia que era sua responsabilidade garantir que houvesse dez judeus rezando todas as manhãs.

Mas, certo dia, uma décima primeira família juntou-se à comunidade. E, na manhã seguinte, não houve minyan. Todos passaram a sentir menos responsabilidade... Pois bem, exatamente o contrário aconteceu em nossa comunidade durante o último Pessach.

Temos uma pequena comunidade e, graças a D’us, todos os Shabatot rezamos com minyan. Porém, no último Pessach, no segundo dia da festividade, caiu aqui uma chuva torrencial. Fiquei preocupado que não conseguiríamos contar com um minyan.

Arnold é um judeu de 101 anos da nossa comunidade. Dentro de algumas semanas celebraremos seu aniversário de 102 anos. Na manhã da festa, ele acordou, viu o dilúvio lá fora e disse à esposa: ”Receio que, por causa do clima e por ser o segundo dia da festa, talvez não haja minyan na sinagoga.”

Então ele saiu a pé, debaixo da chuva, e veio juntar-se a nós. Quando chegou à sinagoga, contou-me o que havia acontecido. Fiquei impressionado e emocionado. Durante a oração, mais e mais pessoas foram chegando. Ao que parece, muitos também temeram que, com um clima assim, não haveria minyan, e sentiram uma responsabilidade especial de comparecer justamente naquele dia, para completar o quorum.

Desejo que cada pessoa sempre sinta que é o ‘décimo homem do minyan’, que sua presença é importante, valiosa e especial.